O destino é uma folha em branco…
e o imponderável vem de onde?
Para que eu construísse o meu destino,
eu tenho de ter vindo do antes.
E quem, antes de mim, vieram…
vieram de onde?
O destino foi feito por quem?
Então, tudo — e o nada além de tudo —
vieram de alguém?
Ou o próprio tudo não seria
um imponderável no meio do nada?
O que é, afinal,
uma folha em branco?
Que sacanagem é essa…
de me jogar num mundo desconhecido,
com um monte de coisas e seres desconhecidos,
para eu dar sentido
a quem não sei quem ser,
e ainda ser aplaudido?
Seria ponderável ao aleatório
eu ser o caos?
A crença de que, se eu pensar,
cria a minha existência…
me faz criar pensamentos
que eu não sei de onde vêm?
Quem faz o quê dentro de mim?
Que ser racional faz por mim
o que eu não quero,
para formar essa folha em branco
que, no final,
é tudo o que terei
para me limpar?
Na verdade, são muitas coisas
para eu não entender nada.
E, pensando bem,
o melhor é saber que nada sei.
Então, pensar pra quê?
Assim, que o sentido da vida seja um rio…
e que a única coisa que eu precise fazer
é não morrer agora,
para deixar que eu morra
quando, em mim, jaz, tudo o
que sou for exaurido.
Poxa…
palmas pra nós,
bando de burros úteis.
Em meu caso,
o remo já grudou em minha mão.
Como eu não posso controlar
a pulsação do meu coração,
eu vou remando,
remando,
remando.
Você não controla nada
em tempo nenhum —
isso é só uma sensação auto
imputada
para se sentir confortável.
Os imponderáveis são aleatórios mutantes:
você vira
e está numa rua sem saída.
Então você se volta…
e o buraco negro te engole.
“Sei que amanhã, quando eu morrer,
meus amigos vão dizer
que eu tinha um bom coração…”
Já dizia o Nelson, que emendava:
— quem quiser fazer por mim,
que façam agora.
Agora, vou voltar a dormir…
e que as nossas mentes
não sejam artificiais,
e continuem a alimentar a vida dentro de mim,
aleatoriamente.
E, por favor, não me encha a paciência me fazendo pensar em tudo isso novamente.
Ninguém tem solução para nada.
Tudo é provisório, inconstante, mutante, aleatório, imponderável. É isso que se chama destino?
ZéReys Santos.
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