sábado, 17 de janeiro de 2026

INTRÉPIDO

Intrépido 


Assim que eu abro o chuveiro e fecho os olhos... Ela dispara:

“Esqueci a toalha”. Eu olho para a água caindo e tento brincar de entremear-me nas gotas, que deslisariam por teus seios.

Não quero me importar com isso mas, ela continua com a sua língua solta. 

Entende ser um passarinho desvairado e sem ninho entremeada ás gotas.


“Será que eu devo fazer xixi aqui?” Eu afasto suas palavras dos meus íntimos ouvidos, duvido que em sã consciência eu a ouvisse.

Porque definitivamente, ela não quer me dar ouvido. Ela só quer falar, falar, falar…

E eu nem queria pensar em outra coisa que não fosse, me deliciar, afinal há tantas maravilhas nas mulheres...

Poderia deixá-la presa numa gaveta mas eu quero a certeza de tê-la aqui… (lembro -me de jenni e o major, eram tão engraçados...)

Eu quero o introspectivo silêncio, que certamente me levaria a gratidão pelo amor molhado, deste banho apaixonado...

e sem vaidade me conduziria a um êxtase, diferente e elevado. Eu estou falando de silêncio, e ela tagarelando de meu lado. Isso é um tango, não um fado?

É por isso que eu queria muito me permanecer emudecido. 

Não quero ouvir ela vir com outros alaridos, confundidos…em meio a suas ansiedades, eu a queria com saudades.

A água está morna, e eu não quero pensar se não no calor suave que me abraça. Que poderia se misturar em nosso abraço...

É incrível, ela fala o dia todo e salta por todos os lados, questiona cores, 

ou se vai chover, ou fazer sol, sobre a covid19, a reportagem, o hospital. 

Estamos lotados de acontecimentos falhos no país.

“Esqueça a toalha…esqueça!” Eu poderia também dizer algo sobre o xixi mas, o que eu quero é introduzir-me todo em mim e ficar com ela quieta, me sentindo e sentindo que sou seu dono. 

Agora ela quer entender porque eu não lhe dou atenção. 

Ela parece uma gazela arisca, sempre saltando moitas a procura de novidades."minha mente em confusão!"

O Sabonete cai da mão. Dentro de tanto contexto, seria um ótimo pretexto mas, melhor não. “Vai ou não vai apanhar o sabão?” Tem outro sabonete na saboneteira. 

A água está deliciosa. Eu escorrego minhas mãos sobre o meu corpo, lavo o peito devagar, lavo o ventre, ensaboo os testículos, e continuo a me ater com este enlace do humano com o prazer de viver, nos melhores dos paradoxos. 

 Ele se aquietou um pouco, mas é certeza que…Será certeira.eka não me deixa esvaziar-me.

“Sabe aquela pluma branca que eu posso sentar em cima e ir embora?” Hã? ela não vai fazer isso comigo agora…, estico o braço mas ela, sai, já se foi agora. Como ela adora me atrapalhar, 

Até nos meus melhores momentos de intimidade! (Me queixo).

Porque ela é tão mulher assim… Não para um segundo sem divagação. Eu acho ela linda, criativa, tem jeito de menina, de lua, de flores, de luzes e de sol reluzindo na purpurina, é isso que seria, da mulher, a perfeição…

Quero trazê-la de volta, se não ela quem me trará outras intercepções…Porque não se desperta a ficar quieta?

Melhor eu pegar o sabão. O chão está escorregadio. Respiro três vezes olhando o vazio. 

O chiado do chuveiro parece-me o som que alimenta o mantra. 

Fecho os olhos e, por fim, aquieto o pensamento e a minha mente parece até 

Adormecer e um sonho me adentra…

Agora eu já posso amá-la e agradecer: “te amo muito quando consigo receber o seu respeito em também se aquietar”. Venha, vamos nos reunir com os nossos deuses interiores,

Vamos receber a energização, é um momento sagrado, é hora de meditação…

Ah!…depois faremos amor à três ou a quatro mãos…Sorrio ao espelho, antes de sair e ir-me deitar. É sempre assim, quando eu entro no chuveiro, antes de prender meus pensamentos aleatórios, primeiro.


ZéReys Santos.

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